07/09/2026

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bom dia. antigamente, o problema da saúde era a falta de acesso à informação. hoje em dia, o problema é o acesso a informações erradas. principalmente nas redes sociais. escolha bem em quem confiar.

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QUICK TAKES
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Na edição de hoje:

💊 Lito Sousa recebe tratamento que nunca foi usado em humanos.
🔥 O que está em alta no universo da saúde.
🇧🇷 Homem sobrevive 271 dias após transplante de rim de porco liderado por brasileiro.
🦇 Genes de morcegos podem combater o câncer?
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Segunda-feira, 07/09/2026

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BIG STORY
Anvisa aprova importação de medicamento inédito para Lito Sousa

(Imagem: @avioesemusicas via YouTube)

Lito Sousa vai receber um medicamento que nenhum ser humano recebeu antes contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.

A Anvisa autorizou a importação do ALN-6457, em caráter excepcional. O pedido partiu do Hospital Israelita Albert Einstein, onde ele faz tratamento.

Contextualizando 🩺

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma encefalopatia espongiforme, ou seja, o cérebro adquire aspecto de esponja ao perder neurônios em massa.

A causa é o príon, uma proteína natural do sistema nervoso que perde a sua estrutura tridimensional correta. Essa versão defeituosa força proteínas vizinhas e saudáveis a se dobrarem errado também, em uma reação em cadeia dentro do cérebro.

Os agregados resultantes matam neurônios e provocam demência de progressão rápida, alterações de comportamento, tremores, rigidez muscular e perda de coordenação.

O (possível) tratamento

O ALN-6457 é um siRNA, uma molécula pequena de RNA desenhada para desligar um gene específico dentro das células.

O alvo aqui é o PRNP, gene que carrega a receita para fabricar a proteína priônica. Ao interceptar essa receita antes da produção, o medicamento reduz a quantidade de proteína disponível no cérebro.

  • A lógica é atacar a matéria-prima: sem material novo, a reação em cadeia “perde combustível” para continuar se propagando.

Mas é preciso ter cautela, pois o ALN-6457 está em estágio pré-clínico para doenças priônicas, ou seja, nunca passou por estudos formais em seres humanos contra a DCJ.

Reduzir a produção da proteína é uma hipótese sólida no laboratório, mas o cérebro já perdeu neurônios que nenhum medicamento devolve.

Não há como prever se a molécula chegará ao alvo em quantidade suficiente, nem qual será a resposta do organismo.

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RESEARCH
O “dia” em que um rim de porco virou solução para um humano

(Imagem: BBC)

Recorde histórico. Um rim de porco geneticamente modificado funcionou por 271 dias dentro de um paciente com doença renal terminal, o maior tempo já registrado sem diálise após um transplante entre espécies.

Para se ter uma ideia do feito, o recorde anterior era de 130 dias, e o primeiro paciente vivo a receber um rim suíno, em 2024, sobreviveu 52 dias.

O estudo saiu na The Lancet e foi liderado pelo nefrologista brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School.

O procedimento 🏥

O órgão veio de um animal com o genoma editado, ou seja, com trechos do DNA reescritos ainda antes do nascimento.

  • As alterações removem açúcares da superfície das células suínas que nossas defesas identificam na hora como “sinal de invasor”.

  • Também entram genes humanos que ajudam a controlar a coagulação e a inflamação dentro do novo enxerto.

Em janeiro de 2025, os cirurgiões do Massachusetts General Hospital ligaram o órgão aos vasos do abdome, e a filtragem começou de imediato.

E qual é o objetivo disso tudo? Atualmente, não é que a pessoa fique com o rim suíno para sempre, mas usá-lo como uma “ponte” para um futuro transplante humano.

E essa hipótese foi testada: em janeiro de 2026, Tim Andrews recebeu um rim humano de doador falecido, que passou a funcionar de imediato.

Os exames não apontaram nenhum sinal de que a passagem pelo órgão suíno tivesse deixado o sistema imune mais reativo.

PS: Para quem quiser se aprofundar, aqui está o artigo científico completo.

BELIEVE IT OR NOT
Genes de morcegos podem combater o câncer?

(Imagem: Riizz | Unsplash)

Um novo estudo publicado na revista Nature montou o genoma de oito espécies de morcegos e encontrou genes ligados ao mesmo tempo à longevidade, à imunidade e à resistência a tumores.

Os animais pertencem ao gênero Myotis, presente em seis continentes. Eles vivem entre 7 e 42 anos — o que é extremamente raro para mamíferos desse tamanho.

A equipe montou os primeiros genomas quase completos dessas oito espécies. O material veio de pequenos discos de tecido retirados da asa, sem sacrificar os animais.

Em laboratório, células do morcego-marrom-pequeno foram expostas a substâncias que danificam o DNA. Em vez de acionar os genes de reparo, elas ativaram genes de apoptose, que é a morte celular programada.

🩺 Na prática, o organismo parece descartar a célula defeituosa em vez de tentar consertá-la. Isso reduziria o acúmulo de mutações que dão origem a tumores.

Isso significa que…

No futuro, talvez seja possível ensinar células humanas doentes a se autodestruir em vez de se remendar.

A aposta seria criar fármacos que ativem essa via de apoptose apenas em células com DNA danificado. Ou seja, o câncer seria barrado na origem, e não perseguido depois de já instalado no organismo.

No entanto, isso ainda é hipótese. Nada foi testado em humanos, e o que funciona em morcegos não necessariamente funcionaria em nós.

RODAPÉ

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